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Blog Treinamento Físico

09/05/2011

Dica boa para sua atualização profissional

   No dia 07 de junho terá início a 4a edição do Curso de Suplementação Nutricional no Esporte da USP.

   Ele será realizado às 3as e 5as, das 19h00 às 22h00, na Escola de Educação Física e Esporte da USP.

   Maiores informações no site: http://www.eefe.usp.br/?curso_extensao/mostrar/id/6

   ou pelo telefone (11) 3091-3182

Por Hamilton Roschel às 15h07

28/04/2011

Ativação muscular x instabilidade

Este é só mais um estudo confirmatório sobre algo que há muito é discutido...

NÃO HÁ diferença na atividade muscular do peitoral maior e deltóide anterior entre execuções máxima (carga correspondente ao 1-RM) do exercício de supino usando o Smith machine, usando barras livre ou usando halteres (dumbells).

A "instabilidade" óbvia gerada pelos halteres não gera um aumento da atividade muscular do peitoral. A estabilidade proporcionado pelo Smith permite o uso de cargas mais elevadas...

 

Até mais

 

A comparison of muscle activity and 1-RM strength of three chest-press exercises with different stability requirementes

Journal of Sport Sciences v.29, n.5, p.533-8, 2011.

Atle H. Saeterbakken; Roland van den Tillaar; Marius S. Fimland

 

Por Hamilton Roschel às 22h19

19/04/2011

"Core Training"

Em qualquer aula ou palestra sobre treinamento de força que o nosso grupo oferece, a pergunta sobre a eficácia do "treinamento funcional" é recorrente.

A princípio, acho fundamental destacar que a terminologia "treinamento funcional" é absolutamene inadequada no meio acadêmico. Esta, caso alguém se interesse, pode ser alvo de discussões futuras. Para o momento, cabe apenas a ressalva sobre a inadequação da terminologia mercadológica que tem sido adotada para esta forma de treinamento.

Pois bem, muitos profissionais baseados apenas na intuição, passaram a defender a bandeira de que o treinamento do "core" seria uma forma alternativa e altamene eficaz de se melhorar função. A "dita" ativação de "músculos profundos" (seja lá o que isso for), o recrutamento muscular aumentado etc seriam argumentos para o uso de tal modalidade.

Não há evidências científicas para as afirmações usualmente proferidas pelos adeptos deste modelo de treino.

Como forma de ilustrar o que acabei de dizer, cito o recente estudo de um grupo de pesquisadores da Indiana Stata University.

Neste, os autores avaliaram se há alguma relação entre os escores obtidos em testes de estabilidade do "core" e o escore em testes funcionais.

Uma correlação positivia indicaria que quanto maior a estabilidade do "core", melhor a função, o que de certa forma justificaria esta forma de treinamento.

Os resultados revelaram que não houve nenhuma correlação significante entre estas variáveis. Estes resultados e outros corroboram a sugestão de que não há evidências sobre a influência da estabilidade do "core" na funcionalidade e no desempenho.

Embora trate-se de uma forma de treinamento válida, pois há estudos que reveam algum efeito (similar ou ligeiramente inferior ao treinamento tradicional, dependendo da população, variável avaliada, tempo de treinamento entre outros), ela não deve ser priorizada em detrimento do treinamento tradicional. Um bom exemplo é o trabalho de Kibele et al., que demonstrou que o treinamento com instabilidade não oferece vantagens em relação ao treinamento tradicional, corroborando o exposto.

 

Okada, T, Huxel, KC, and Nesser, TW. Relationship between
core stability, functional movement, and performance.
J Strength Cond Res 25(1): 252–261, 2011

Kibele, A and Behm, DG. Seven weeks of instability and
traditional resistance training effects on strength, balance and
functional performance. J Strength Cond Res (Epub ahead of print)

Por Hamilton Roschel às 12h34

Voltamos!!!!!!!!

Sei que faz tempo que não há atualizações no blog.

Tentarei, portanto, manter uma periodicidade maior nas postagens.

Até breve.

Por Hamilton Roschel às 12h18

23/09/2010

Rapidinhas vespertinas - Subir escadas x gasto calórico

Um estudo recente, deste mês para ser mais preciso, mostrou que subir escadas dois degraus por vez (ou seja, sempre pulando um degrau), aumenta o consumo energético e a ativação dos músculos extensores do tornozelo e do joelho em comparação a subir a escada um degrau por vez.

Esta constitui uma estratégia simples para aumentar o seu gasto energético diário

Bons treinos

 

JINGER S. GOTTSCHALL, GARY S. AGHAZARIAN, AND ELIZABETH A. ROHRBACH. THE METABOLIC AND MUSCULAR DIFFERENCES BETWEEN TWO STAIR-CLIMBING STRATEGIES OF YOUNG ADULTS. Journal of Strength and Conditioning Research. 24(9)/2558–2563, 2010.

 

 

Por Hamilton Roschel às 14h59

13/09/2010

Alongamentos x Desempenho em Corrida

Uma das coisas mais interessantes da ciência é a mudança de paradigma que ela promove.

Aos mais pragmáticos é importante entender que, ainda hoje, parte das abordagens práticas são ainda baseadas em premissas errôneas.

Digo isso, pois o que vamos discutir agora vai causar, no mínimo, "coceira" em alguns...

Embora a idéia não seja novidade entre os pesquisadores da área, a confirmação é recente. E é com grande orgulho que adiciono que um dos pesquisadores envolvidos neste estudo, é também um dos coordenadores de nosso laboratório.

A execução de exercícios de alongamento previamente à prática de exercícios físicos (de qualquer natureza) é algo extremamente comum. Ela é também tida por alguns, como parte OBRIGATÓRIA do processo de aquecimento.

A ciência já demonstrou que uma sessão de alongamentos estáticos de intensidade suficiente para promover aumento significativo da amplitude de movimento são também suficientes para promover redução na capacidade de produção de força e potência, colocando em xeque, portanto, a execução deste tipo de algonamento antes de sessões de treinamento de força e potência.

Isso se dá pela diminuição do stiffness músculo-tendíneo (podendo se entendido, de maneira extremamente simplista, como a rigidez ou grau de complacência quando submetida à tensão, da unidade músculo-tendão), diminuindo a transmissão da força produzida pelo músculo para os tendões.

Um estudo recente demosntrou que esse efeito deletério de desempenho de força/potência pode perdurar até uma hora após a execução dos alongamentos, dando margem para a especulação sobre um possível efeito do alongamento sobre atividades de mais longa duração.

O desempenho em corrida é também afetado pelo stiffness muscular, o que influencia, por exemplo, a economia de corrida (gasto calórico na unidade de tempo necessário para se manter correndo a uma determinada velocidade fixa). Baseados nisso, e na afirmação anterior (sobre a duração do efeito deletério), um grupo de pesquisadores estudou se a realização de exercícios de alongamento estáticos prévios ao um teste de corrida poderia comprometer o desempenho.

Os autores observaram que o custo energético da tarefa foi MAIOR, e a distância percorrida em 30 minutos foi MENOR no grupo que realizou o alongamento prévio, colocando também em xeque, a prática extremamente comum e agora questionável, da relização deste tipo de execício durante o aquecimento prévio ao treino de corrida.

Abraços e bom treinos.

 

PS: Não cabe aqui, entrar no mérito se existe ou não algum efeito protetor de lesões na realização de alongamentos prévios a uma sessão de treinamento. Este é um assunto extremamente controverso na literatura científica (embora a maioria dos estudos NÃO aponte na direção da existência de um efeito protetor).

Segue a referência do artigo:

Wilson, JM, Hornbuckle, LM, Kim, J.-S, Ugrinowitch, C, Lee, S.-R,
Zoundos, MC, Sommer, B, and Panton, LB. Effects of static
stretching on energy cost and running endurance performance.
J Strength Cond Res (Epub ahead of print)

Por Hamilton Roschel às 00h00

01/09/2010

Bochecho de Carboidratos x Desempenho?!?!?!?!?!?

Mais uma da série: "Hããããããã??!?!?!?!?!?"

Pois é Srs.,

Tem sido demonstrado de forma consistente o efeito positivo do uso de carboidratos (CHO) no desempenho em atividades de endurance. Isso não é novidade nenhuma para ninguém. Agora, o uso de CHO também se demonstrou eficiente para aumentar o desempenho em atividades de mais curta duração, o que é paradoxal ao seu efeito metabólico, já que o desempenho neste tipo de atividade não é dependente deste substrato energético.

Desta forma, investigou-se qual seria o efeito da simples presença do CHO na boca dos sujeitos (ou seja, sem que o indivíduo engula a solução de CHO) sobre o desempenho, já que desta forma, eliminaria-se o papel que ele desempenharia no metabolismo (uma vez que não era engolido). Os pesquisadores observaram que a presença do CHO na boca ativa regiões do cérebro responsáveis pela sensação de motivação e recompensa.

Passou-se então a testar o efeito do bochecho de soluções de CHO (sem que a solução seja engolida, cuspia-se a mesma após aprox. 25 seg de bochecho) sobre o tempo de corrida em distâncias pré-definidas. O que os estudos tem mostrado é que o desempenho é positivamente afetado por esta estratégia, consituindo uma estratégia interessantíssima de manipulação ergogênica.

O efeito parece, no entanto, limitar-se a condições de jejum, já que no estado alimentado, tal manipulação não se demonstrou eficiente.

Para os curiosos de plantão, existem vários trabalhos demonstrando este efeito!!

Nós acabamos de submeter um artigo de um estudo produzido em nosso laboratório que tentou verificar a eficiência desta mesma estratégia sobre o desempenho de força máxima e resistência de força.

Adivinhem o resultado......NÃO houve diferença. O efeito do bochecho de CHO parece se limitar a atividades de intensidades um pouco menores, não modulando portanto, a produção de força.

Até mais

Por Hamilton Roschel às 23h27

Treinamento de Força e Creatina x Osteoartrite

Encerramos recentemente em nosso laboratório, um estudo que verificou que a associação da suplementação de creatina ao treinamento de força foi mais eficiente em aumentar a função (medida através de testes funcionais) em mulheres idosas com osteoartrite de joelho em comparação ao treinamento de força somente.

O trabalho será apresentado em breve no congresso anual do Colégio Americano de Reumatologia (American College of Rheumatology - ACR) e em breve teremos o artigo completo com dados biomoleculares, clínicos e antropométricos completos para vocês.

Até breve

Por Hamilton Roschel às 23h15

28/08/2010

Esfriamento das mãos x supino!?!?!?!?!?!?

Um estudo no mínimo curioso, demonstrou que o "resfriamento" das palmas das mãos nos intervalos de realização de séries de supino melhoram o desempenho!!!

O estudo foi publicado este mês numa das revistas mais importantes da área. Nele, pesquisadores americanos e australianos observaram que diminuir a temperatura das palmas das mãos (de 35 para 20 graus Celsius), durante os intervalos de execução de séries de supino de alta intensidade, resultou em aumento do número de repetições realizadas e do sinal eletromiográfico e diminuição da percepção subjetiva de esforço e da temperatura esofágica em comparação as situações controle (sem manipular a temperatura das palmas das mãos) e com aquecimento das palmas das mãos.

Os supostos mecanismos envolvidos nesta estratégia estão relacionados à manipulação (inibição) de vias aferentes responsáveis pela percepção de dor, e consequentemente, de diminuição da produção de força.

Outros estudos já haviam verificado resultados parecidos. Um deles mostrou que a aplicação de bolsas de gelo na região superior do tronco e ombros por 3min em jogadores de beisebol (lançadores) durante os intervalos de um exercício que simulava séries de arremessos, foi capaz de aumentar a quantidade de trabalho realizada pelos lançadores.

A crioterapia tem se mostrado extremamente interessante em diversas aplicações, e eventualmente, voltaremos a este assunto.

 

Para os que pediram e não viram a referência entre as respostas ao post, aqui vai:

Palm cooling delays fatigue during high-intensity bench press exercise.

Kwon YS, Robergs RA, Kravitz LR, Gurney BA, Mermier CM, Schneider SM.

Med Sci Sports Exerc. 2010 Aug;42(8):1557-65.

 

Por Hamilton Roschel às 09h40

21/06/2010

ACSM

No começo do mês de junho houve o encontro anual do American College of Sports Medicine.

Desta vez o evento aconteceu na cidade de Baltimore, MD - EUA. Eu e outro membros do laboratório estivemos lá e pudemos assisitir a palestras interessantíssimas de grandes pesquisadores da área.

Nos próximos posts trarei algumas das novidades que vimos por lá.

Até mais.

Por Hamilton Roschel às 22h36

13/05/2010

Um treinamento que vai fazer você vibrar!!

Desta vez eu convido o meu amigo Mauro Batista para discutir um assunto muito atual com vocês. O Mauro terminou recentemente o seu programa de doutorado pelo nosso laboratório, no qual investigou os efeitos da associação do treinamento de vibração ao treinamento de força convencional. Neste texto, o foco é o treinamento de vibração isolado. Para quem ficou curioso, futuramente trataremos da associação dos dois modelos de treinamento. Aproveitem a leitura. 

 

No Brasil ainda é novidade, mas há aproximadamente duas décadas as academias de ginástica da Europa e dos EUA oferecem a seus alunos uma forma de treinamento em que os exercícios físicos são realizados enquanto os músculos de todo o corpo são submetidos à vibração.

Esse treinamento é feito através de um aparelho conhecido como plataforma vibratória. Para que você tenha uma idéia desse aparelho, uma plataforma vibratória se assemelha um pouco àquelas balanças antigas de farmácia, mas com uma base um pouco maior. Você se posiciona sobre ela e se exercita, por exemplo, realizando exercícios de agachamento ou qualquer outra forma de exercício, desde que mantenha alguma parte do corpo em contato com a plataforma. A plataforma, como o nome sugere, produz vibrações que se propagam pelo organismo. Para atenuar a propagação da vibração pelo corpo os músculos se contraem de forma reflexa, o que aumenta sua atividade em comparação ao mesmo exercício feito fora da plataforma.

 

Segundo os fabricantes do aparelho, o treinamento de vibração do corpo todo (TV), é capaz de promover melhoras na composição corporal (aumento da massa muscular e emagrecimento), melhora do equilíbrio e da marcha, aumento da força, potência e flexibilidade musculares, equivalentes ou superiores àqueles conseguidos com os meios de treinamento convencionais. Uma vantagem adicional desse método é a economia de tempo, já que para se obter tais efeitos bastaria se exercitar sobre a plataforma vibratória por 5 a 10 minutos. Uma verdadeira moleza, não é mesmo? De acordo com tais promessas, esse método poderia beneficiar não só indivíduos comuns, que pretendem se exercitar para melhorar a saúde a estética, como atletas de diferentes modalidades.

Pois é, mas parece que a coisa não é tão linda assim como se pinta. Pesquisas sobre o treinamento com plataformas vibratórias mostram que o TV é capaz de promover algumas das melhoras citadas, mas a maioria dos estudos não mostrou maior eficiência do método em relação a um método convencional. Uma exceção se faz em relação ao treinamento da flexibilidade. Para essa finalidade, existem estudos que mostram maior eficiência quando o treinamento de flexibilidade é feito em seguida a exposição à vibração. Em relação a melhoras na força e potência musculares, os resultados mais expressivos foram observados em pessoas idosas ou com baixo nível de treinamento, o que sugere que o método pode ser efetivo apenas para aqueles que têm baixo nível inicial de força ou estão fisicamente debilitados. Já em relação a alterações na composição corporal, até o momento não há estudos que confirmem a ocorrência de tais benéficos que poderiam ser unicamente atribuídos as plataformas vibratórias. Adicionalmente, em nosso laboratório temos conduzido vários experimentos com este tipo de equipamento. Até então não observamos efeitos significantemente maiores deste método de treinamento em comparação ao treinamento convencional. Portanto, se você quer melhorar seu desempenho ou perder aqueles quilinhos a mais, a maneira mais eficiente para se fazer isso é se mexendo e não esperar que algum aparelho faça isso por você!

Se você tiver interesse em saber mais sobre o treinamento com plataformas vibratórias pode baixar uma revisão produzida por nosso grupo de pesquisa diretamente do link abaixo:

http://portalrevistas.ucb.br/index.php/RBCM/article/viewFile/766/769

 

Mauro Batista e Hamilton Roschel

 

 

Por Hamilton Roschel às 18h10

08/04/2010

Creatina, mitos e verdades!!

Caros, apresento a vocês um grande amigo, o Prof. Dr. Bruno Gualano. Juntos nós desenvolvemos pesquisas sobre temas diversos, inclusive sobre a Creatina, substância muito estuda por este excelente pesquisador, o qual eu tenho o privilégio de ter como parceiro de trabalho.

A quem possa interessar,

Escrevo referente às recentes matérias divulgadas pela imprensa acerca dos possíveis efeitos deletérios das suplementações de proteínas e creatina.

A creatina é um composto nitrogenado sintetizado endogenamente e obtido via dieta, sobretudo em carnes. Embora o consumo médio do europeu gire em torno de 2g/d, relatos em carnívoros apontam que o consumo dessa amina possa chegar a 5g/d. Interessantemente, existem evidências demonstrando que o consumo de creatina dos nossos antepassados – mais precisamente na era Paleolítica – atingia 10g/d.

As alegações sobre supostos efeitos deletérios da suplementação creatina não são recentes. Um antigo documento - de qualidade no mínino duvidosa - publicado pela Agência Francesa de Segurança Médica na Alimentação (French Agency of Medical Security for Food [AFSSA]) gerou grande polêmica ao associar erroneamente o consumo desse suplemento a um maior risco de câncer, embora evidências de alto valor científico apontassem i) a completa ausência dessa relação em humanos e, além disso, ii) fortes indícios de que essa amina poderia reduzir o risco de câncer em modelos animais e in vitro (Jeong et al. Effects of cyclocreatine in rat hepatocarcinogenesis model. Anticancer Res 2000 May-Jun;20(3A):1627-33; Miller et al. Inhibition of rate of tumor growth by creatine and cyclocreatine. Proc Natl Acad Sci USA 1993 Apr 15;90(8):3304-8). Uma das maiores entidades no estudo da suplementação da creatina – Professor Doutor Mark Tarnopolsky (McMaster University, Canadá) - reagiu imediatamente à publicação e lançou mão de duas excelentes cartas sobre a polêmica (que podem ser acessadas pelos sítios (http://www.diet-coaching.com/creatine.html e http://www.diet-coaching.com/creatine2.html), pondo fim ao mal-entendido provocado pela AFSSA e repercutido pela imprensa, com um alto teor de ciência e bom senso.

Em meados de 1998, um relato de caso publicado em uma dos maiores periódicos de Clínica Médica alarmou novamente a sociedade: dois nefrologistas ingleses associaram prejuízos à função renal em um indivíduo usuário de creatina. Ao leitor, cabe salientar que estudos de caso são retrospectivos e não permitem generalizações de resultados ou conclusões assertivas e causais. Prontamente, a comunidade científica reagiu contestando a “ambiciosa” e empírica conclusão dos autores, afirmando que a creatina poderia prejudicar a função renal.

As mortes de três atletas de luta greco-romana nos Estados Unidos também foram associadas ao uso da suplementação de creatina. O inquérito policial constatou, entretanto, que as mortes desses lutadores foram provocadas pelo uso abusivo de substâncias proibidas, como anfetaminas, combinado com regimes de treinamento de altíssima intensidade e manobras arriscadas de perda de peso. De fato, um deles sequer utilizava creatina quando do fatídico acontecimento.

À luz da literatura científica, não restam dúvidas dos efeitos positivos da suplementação de creatina sobre o desempenho físico-esportivo. Porém, mais entusiasmantes e promissores são os achados indicando que esse suplemento tem um papel terapêutico relevante em uma vasta gama de patologias, podendo melhorar os sintomas de pacientes com doenças musculares, ósseas, cartilaginosas, metabólicas, cardiovasculares e neurodegenerativas, sendo a população idosa a mais beneficiada. Quantos aos efeitos deletérios – em especial à função renal – estudos controlados refutam sistematicamente a possibilidade de a creatina provocar disfunção renal em indivíduos saudáveis ou não.   

O cenário é bastante semelhante quando se trata de dietas hiperproteícas para praticantes de atividade física. Embora o senso comum sugira que o alto consumo de proteínas – via dieta ou suplementação – possa provocar uma sobrecarga renal, aumentando a hiperfiltração e consequentemente reduzindo a taxa de filtração glomerular, nenhum estudo até hoje demonstrou que dietas hiperprotéicas prejudicam a função renal em indivíduos saudáveis.

É bem estabelecido que o consumo adequado de proteínas promove a positivação do balanço protéico e, por conseguinte, hipertrofia muscular. Cabe salientar que o requerimento protéico diário é levemente superior em atletas e idosos do que em sedentários. Se o consumo “extra” de proteína nessas populações se faz necessário, ou se esse maior requerimento será atingindo via dieta ou suplementação são questões de única responsabilidade dos profissionais de saúde qualificados para tomar tais decisões.     

É compreensível que uma notícia negativa acerca de algum suplemento alimentar – como “creatina leva à insuficiência renal” ou “proteína provoca falência hepática” – gere uma maior repercussão na população. Contudo, é necessário que a imprensa considere o grande número de pessoas que pode futuramente se beneficiar desses suplementos alimentares. De fato, um crescente corpo de literatura tem evidenciado maiores respostas hipertróficas em indivíduos – saudáveis ou não – como resultado da ingestão de proteínas (soja, leite, caseína, colostro, “whey”, etc), aminoácidos e derivados (essenciais, leucina, de cadeia ramificada, b-hidroxi-b-metil-butirato, creatina, etc). É importante que se ressalte a possibilidade de que algum(ns) deste(s) não sejam livres de efeitos adversos. De fato, questões como: “a suplementação de creatina e proteínas prejudicam a função renal em idosos, indivíduos nefropatas ou propensos à doença renal?” ainda precisam ser respondidas conclusivamente. Contudo, tal tarefa é de exclusiva responsabilidade de pesquisadores, que se utilizam de métodos científicos adequados para tanto.  

Declarações como “Já que você está tomando isso (creatina), vamos colocar logo seu nome na lista de transplante de rim, para garantir no futuro” e “Com isso (creatina), a pessoa acumula mais resíduos tóxicos e sobrecarrega os rins", proferidas pelas nutricionistas Daniela Silveira e        Márcia Daskal, respectivamente, e divulgadas por diversos meios de comunicação são infundadas e prestam um grande desserviço à sociedade.

Abaixo, elenco uma série de revisões científicas que corroboram a ausência de efeitos deletérios e eficácia da suplementação de creatina e proteínas:

Poortmans JR, Francaux M Adverse effects of creatine supplementation: fact or fiction? Sports Med 2000 30(3):155-70

Gualano B, Artioli GG, Poortmans JR, Lancha Jr AH. Exploring the therapeutic effects of creatine supplementation. Amino Acids (in press).

Gualano B, Ugrinowitsch C, Seguro AC, Lancha Jr AH. A suplementação de creatina prejudica a função renal? Rev Bras Med Esporte 2008 14(1):68-73.

Campbell B, Kreider R, Ziegenfuz T, La Bounty P et al. International Society of Sports Nutrition position stand: protein and exercise. J Int Soc Sports Nutr 2007 4(8) online.

Lowery LM and Devia L. Dietary protein safety and resistance exercise: what do we really know? J Int Soc Sports Nutr 2009 6(3) online

Burd NA, Tang JE, Moore DR, Phillips SM.  Exercise Training and Protein Metabolism: Influences of Contraction, Protein Intake, and Sex-based differences J Appl Physiol (in press)  

 

Em tempo: Nosso grupo demonstrou recentemente que a creatina não prejudica a função renal em um tenista com rim único (Am J Kid Dis 2010 Mar;55(3):e7-9) e em diabéticos do tipo 2 com doença renal crônica pré-existente (dados submetidos para publicação).

 

Dr Bruno Gualano  

 

Por Hamilton Roschel às 14h05

06/04/2010

Variações na execução do supino vs. atividade muscular - mito ou verdade?

Hoje é segunda feira. De maneira bem humorada, a segunda feira é conhecida como o dia nacional do treino de peito, haja vista a "fila" formada nos bancos de supino.

Sem dúvida este é um exercício bastante popular. E como em todo exercício popular, mitos relacionados às diferentes formas de execução do exercício são bastante comuns. Particularmente o supino reto e o inclinado recebem atenção destacada entre os praticantes de musculação.

Embora seja comum ouvirmos que a inclinação do banco implica em maior ativação desta ou daquela porção do peitoral, a maioria dos estudos  não reportam diferenças significantes entre a atividade das porções esternocostal e clavicular do peitoral ao mudarmos a inclinação do banco.

Um estudo muito citado quando o assunto é atividade do músculo peitoral vs. variações do supino, é o de Barnett C., V. Kippers, and P. Turner. Effects of variatios of the bench press exercise on the EMG activity of five shoulder muscles. J. Strength and Cond. Res. (9)4:222-227, 1995.

Os autores observaram que ao aumentarmos a inclinação do trono (i.e. inclinação do banco), aumentamos também a atividade do deltóide anterior. Este fato pode ser facilmente explicado pelo aumento do torque flexor imposto nesta articulação, em comparação à graus de inclinação menores (i.e. mais próximos da posição deitada no banco reto). Com relação a atividade do múculo peitoral, apenas uma pequena diferença na atividade da porção esternocostal foi observada entre o supino reto e o inclinado (com maior atividade no supino reto).

Vale lembrar que a medida que aumentamos a carga do exercício, ou seja, quanto mais próximo da carga que representa a força máxima do indivíduo, menos importante são estas diferenças nas atividades musculares.

Bons treinos.

 

Por Hamilton Roschel às 00h31

Potencialização Pós-Ativação

Desta vez optei por postar o resumo de uma publicação recente de nosso grupo.

Trata-se de uma revisão de literatura sobre a potencialização-ativação. Este fenômeno está intimamente ligado com a melhoria do rendimento em atividades de força/potência após a realização de uma atividade condicionante prévia, como explica o artigo.

O artigo na íntegra pode ser visto no link:

http://periodicos.uem.br/ojs/index.php/RevEducFis/issue/view/421/showToc

A referência completa é:

Batista MAB, Roschel H, Barroso R, Ugrinowitsch C, Tricoli V. Potencialização pós-ativação: possíveis mecanismos fisiológicos e sua aplicação no aquecimento de atletas de modalidades de potência. Revista da Educação Física, v.21, n.1, 2010.

Abaixo, segue o resumo:

Resumo

A prática de exercícios de aquecimento é comum entre atletas de diferentes modalidades esportivas. Existem evidências de que o aquecimento convencional pode prevenir a ocorrência de lesões e melhorar o desempenho em modalidades dependentes da oferta de oxigênio aos músculos, contudo é questionável se esse tipo de aquecimento pode ser vantajoso para atletas que competem em provas de potência. Há sugestões de que estes atletas podem se beneficiar da incorporação de exercícios de força ao aquecimento convencional. Esta hipótese se baseia no fenômeno conhecido como potencialização, que é desencadeado quando os músculos são ativados com estímulos de alta intensidade. Assim, esta revisão teve como objetivo verificar se a inclusão dos exercícios de força na rotina de aquecimento pode ser vantajosa para atletas participantes em provas de potência. Além disso, procurou-se apresentar os possíveis mecanismos responsáveis pelo fenômeno conhecido como potencialização e identificar estratégias adequadas para sua indução sobre o desempenho.

 

Por Hamilton Roschel às 00h07

28/03/2010

Dieta rica em fibras parte 2 - Receita nova

Kibe de Grão-de-bico

 

Ingredientes

1 xícara (chá) de trigo para kibe (cerca de 340g)

3 xícaras (chá) de água fervente (660ml)

3 colheres (sopa) de azeite (cerca de 39ml)

1 cebola média ralada (cerca de 100g)

1 dente de alho amassado (cerca de 2g)

2 cenouras pequenas raladas (cerca de160g)

1 tomate médio picado (cerca de 130g)

2 xícaras (chá) de grão-de-bico cozido (cerca de 450g)

Sal a gosto

1 xícara (chá) de queijo tipo cottage amassado (220g)

½  xícara (chá) de salsinha picada (25g)

½  xícara (chá) de hortelã picada (40g)

2 colheres (sopa) de molho de soja (24g)

 

Preparo

1)     Em uma tigela coloque o trigo e despeje a água fervente. Deixe de molho por 1 hora.

2)     Em uma panela aqueca o azeite e doure a cebola e o alho. Acrescente a cenoura, o tomate, o grão-de-bico, levemente amassado, e o sal e refogue bem. Por fim acrescente o queijo tipo cottage, misture bem e deslige.

3)     Escorra e esprema bem o trigo. Junter a salsinha, a hortelã, o molho de soja e o sal e misture até obter uma massa homogênea.

4)     Unte uma forma retãngular média (22x30cm) e coloque metade da mistura do trigo. Recheie com a mistura do grão-de-bico e termine com a outra metada do trigo. Leve ao forno preaquecido a 180 graus e deixe assar, por cerca de 40 minutos (ou até dourar).

5)     Corte em quadradinhos e sirva

 

Dicas: Experimente substituir o cottage pela mesma quantidade de ricota.

1 xícara (chá) de grão-de-bico cru (190g) resulta em 2 xícaras (chá) dele cozido.

 

Calorias: 322,37Kcal

Fibras: 3,76g

 

Por Ana Carolina Garcia - Nutricionista

Por Hamilton Roschel às 16h50

Sobre o autor

Hamilton Roschel

Hamilton Roschel é professor doutor em Biodinâmica do Movimento Humano pela Universidade de São Paulo. Trabalha com pesquisas na área de treinamento esportivo, com ênfase no treinamento de força e no uso do exercício como ferramenta terapêutica do tratamento de doenças. É pesquisador membro do Laboratório de Adaptações Neuromusculares ao Treinamento de Força da EEFE-USP e do Laboratório de Avaliação e Condicionamento em Reumatologia - HC - FM-USP, Professor Titular da Universidade Paulista e preparador físico.

Sobre o blog

Este blog traz discussões sobre o exercício físico e o treinamento esportivo. Vamos tratar de estratégias para promoção da saúde, estética, terapêutica e trazer novidades relacionados ao tema. Assuntos relacionados a musculação e academias também estarão presentes.